Autoridades poderão investigar utilizadores do BTuga

2007 Agosto 1
by esmifradito

btuga

A ASAE não põe de parte investigar os utilizadores dos sites portugueses de partilha de ficheiros encerrados este mês, como o BTuga e o ZeMula; mas não é sequer claro se, na lei europeia, os sites de peer-to-peer são ilegais.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) poderá investigar utilizadores dos três sites de partilha de ficheiros encerrados há uma semana e meia (BTuga, ZeTuga e ZeMula). Estes sites, que funcionavam como agregadores de “torrents” (pequenos ficheiros que servem para partilhar conteúdos em redes ponto-a-ponto, ou peer-to-peer), foram bloqueados a 24 de Julho numa operação da Polícia Judiciária e da ASAE.

Os dois gestores destes sites foram constituídos arguídos e sujeitos a termo de identidade e residência. A PJ divulgou em comunicado que os três sites tinham “200 mil utilizadores”", que “procediam à troca de material protegido por direitos de autor sem a devida autorização”.

Em declarações ao PÚBLICO, Pedro Picciochi, vice-presidente para a área operacional da ASAE, disse que a intervenção de dia 24 foi “a primeira e mais visível” face desta operação. Questionado sobre a possibilidade de a ASAE investigar utilizadores do BTuga ou dos outros sites, Picciochi respondeu: “Várias hipóteses podem colocar-se a esse nível neste momento. Temos um manancial bastante alargado de informação [recolhida no material apreendido aos gestores dos sites].”

“Não lhe posso dizer quando é que o processo estará concluído”, acrescentou o vice-presidente da ASAE. “Temos aqui um trabalho muito grande pela frente.”

Na semana passada, Rosa Mota, inspectora da PJ, deixou também em aberto em declarações às televisões a possibilidade de a investigação aos três sites bloqueados incluir os utilizadores das redes peer-to-peer.

Manuel Lage, porta-voz da ASAE, notou que a actividade da sua agência “não se resume” à pirataria na Internet. E acrescentou: “A nossa acção vira-se mais para quem tenta tirar partido disso, obter lucros [da partilha ou reprodução não autorizada de conteúdos].”

Segundo o comunicado da PJ, esse seria o caso dos sites bloqueados, cujos “serviços” incluíam algumas opções “mediante pagamento”. Pedro Picciochi confirmou que “alguns serviços nesses sites eram pagos”; não precisou montantes, visto que “ainda estão diligências a decorrer”, mas acrescentou: “Acho que os rendimentos não seriam desprezáveis.”

Uma “primeira acção”

Picciochi assegurou igualmente que a operação foi “uma primeira acção”, e que “haverá outras”: “Claro que há outros sites a ser investigados. Esta foi apenas a primeira [operação] a ficar concluída.” No ano passado, associações das indústrias de conteúdos portuguesas apresentaram 38 queixas-crimes por partilha ilegal de ficheiros na Net.

Mas e se os sites que oferecem torrents não estiverem a fazer nada de ilegal? Essa é a argumentação de muitos defensores das redes peer-to-peer. Protocolos de partilha de ficheiros como o BitTorrent ou o eMule são totalmente legais; ilegal é a partilha não autorizada de conteúdos com direitos de autor.

Ora, agregadores de “torrents” como o célebre Pirate Bay não disponibilizam conteúdos ilegais – apenas oferecem “torrents”. “Somos apenas uma ferramenta, que diz às pessoas onde encontrar conteúdos, quer estes tenham direitos de autor ou não”, disse ao PÚBLICO em Junho Peter Sunde, um dos fundadores do Pirate Bay. “É semelhante aos correios: estes não podem ser responsabilizados se as pessoas enviarem coisas ilegais numa carta.”

“Em todos os casos que têm sido julgados no mundo inteiro, seja nos EUA ou na Europa, a questão é simples: quem oferece apenas um sistema de partilha de ficheiros não está a praticar crimes”, disse ao PÚBLICO um jurista português, que pediu para não ser identificado. “O intermediário na Net não tem de vigiar conteúdos. O que tem é de reagir quando é notificado para isso. Isto é o que diz a lei em abstrato. Só se a entidade que permite a partilha além disso insere [na Internet] conteúdos, aí é que pode haver [ilegalidade].”

Nulla poena sine lege

O mesmo jurista recorda o caso Grokster – que chegou ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. O Grokster – uma rede de partilha de ficheiros – foi condenado por infringir direitos de autor. Mas a decisão do Supremo centrava-se em duas questões específicas: a associação do nome “Grokster” ao célebre Napster, e a obtenção de receitas (com publicidade); o tribunal americano acrescentou contudo que empresas de tecnologia não podem ser processadas apenas por os seus produtos serem usados com fins ilegais.

“O Grokster em Portugal não seria punido criminalmente”, acrescenta o jurista contactado pelo PÚBLICO. Mais: na jurisprudência americana há a figura de “contributory infringement” (quando um agente não só tem conhecimento de uma actividade ilegal como faz um “contributo material” para essa actividade). Ainda segundo o mesmo jurista, “na Europa não há essa figura”: “Nulla poena sine lege (’sem lei não pode haver castigo’).”

À luz da legislação que rege esta área em Portugal (a directiva comunitária do comércio electrónico), ainda não houve casos de sites de torrents expressamente condenados. Aliás, no ano passado, um tribunal francês determinou que o uso de redes peer-to-peer é legal, num caso que opunha uma associação fonográfica de França e um utilizador denominado Anthony G. Este utilizador transferia filmes e música através de tecnologia Kazaa; o tribunal decidiu que isso era legal, desde que fosse para uso “pessoal e não comercial”.

in Público.pt

6 Respostas
  1. 2007 Agosto 1

    No final da história ninguem vai ser investigado. Isso não faria sentido!
    A industria musical tem de se adaptar aos novos tempos…

    Abraço

  2. 2007 Agosto 2

    Eu acho engraçado é como o estado deixa criar a empresa BTUGA, que para ser criada teve que dizer para que fim é que era, e o “dono” da empresa teve de pagar para a própria ser criada, e depois mandam a ASAE para fechar tudo.
    Porque supomos que eu tenho internet pela primeira vez hoje, e supomos que encontrava o site BTUGA e não sabia para que era, mas lia, e não há nada de ilegal na constituição para sites peer to peer, tirava umas musicas, pois são de graça, e por acaso tenho um amigo meu que é ministro ou trabalha na ASAE, e faz exactamente o mesmo, eu sou menos gente que ele? e para mais , metade dos cd’s/dvd’s de software que eles apreendem, não me digam que não ficam com um joguinho, ou um programinha , para hipocrisia , ja la vai o tempo de salazar, ou será que a ASAE é a nova PIDE?e não se esqueçam que se “sacarmos” algo da net de um servidor fora de Portugal, não é crime, a ASAE não tem direito de ir buscar esse servidor, crime sim é vender o material que “sacamos”, agora fazer downloads? para isso os principais responsáveis seriam os ISP’s que “deixam” esses sites abertos ao publico, pq aliás nós estamos a navegar na rede deles, eles é que controlam tudo, porque é que ASAE não vai lá? e se por acaso alguém vier a minha casa, sim porque eu sou 1 dos milhões de Portugal que saca da net, eu começo por apontar os dedos a todas as casas que conheço que cujos donos tiram algo da internet que não deviam, pode ser que alarguem as prisões, ou n?

    ptem-se

  3. 2007 Agosto 3

    godhja, deixa eu falar também aqui de algumas coisas sobre o assunto que referes.

    Tens razão quando dizes Eu acho engraçado é como o estado deixa criar a empresa BTUGA, que para ser criada teve que dizer para que fim é que era, e o “dono” da empresa teve de pagar para a própria ser criada, e depois mandam a ASAE para fechar tudo.

    Pois é meu amigo, então vejamos deste prisma.

    Como é possível empresas edonias em Portugal as quais algumas bem conhecidas de todos nós e oferecem créditos de dinheiro a jorros. Por cada tracker internacional existe um contracto publicitário em que cada mebro ao abrir o site do tracker lhe aparecem banners com PUB em Português.

    Se for um alemão, irá aparecer a PUB na sua lingua e por aí fora. Começamos a verificar que as grandes empresas apostam forte nesta ideia do tracker para fazer a sua publicidade, e isto vai beneficiar o tracker em manutenção da host onde está hospedado e também a poder sempre obter o melhor servidor e material para poder semear.

    Na maioria dos trackers são poucos os que se registam como empresas, isto para a maioria deles nem lógica teria derivado a passarem o conteudo que passam.
    Agora como é possivel as empresas de registos aceitarem esta situação? Depende muito de quem vai registar como escreve no papel o nome e para que é destinado, mas terá sempre de explicar bem, sendo assim no caso do Btuga usa o seu servidor Premium para poder alugar, sendo assim ele passa a se livrar de algumas coisas como tal podendo alegar que tudo o que passe naquele server não lhe diz respeito, é pura e simplesmente da responsabilidade do user que o aluga.

    Mas ele é BURRO, porque continua a manter o nome de Btuga envolvido na mesma fornalhae com um tracker próprio que é á parte do premium, então temos os usuários do Premium que pagam de livre vontade para terem acesso a rácios mais modestos e poderem estar livres de estarem a sacar com velocidades baixas, o que leva muito tempo.

    Aos restantes usuários comuns têm de se sacrificar até estarem com um rácio aceitável e destipulado pelo Btuga.
    Ok, agora voltando á PUB. É assim que algumas empresas querem fazer a sua publicidade, se der deu se não der paciência, visto que sabem muito bem que é um tracker que usa material ilegal, mas para estas empresas pouco interessa visto que se contarmos os usuários de cada tracker nacional e inter temos milhões a verem a PUB.

    Então existe dinheiro em caixa. Eu na minha opinião sou sim senhor que um tracker seja comparticipado mas de forma moderada e pelos seus usuários, doam quem pode e quer e ninguém é obrigado, a PUB apenas irá mostrar que pode causar problemas a um tracker, mas é sem duvida uma enorme ajuda aos trackers mais pequenos e ajuda assim a se manterem de pé.

    Alguns trackers já fecharam outros se uniram e outros continuaram por si mesmo e apenas co ajudas internas dos seus colaboradores e administradores os quais põem dinheiro do seu bolso, e devo dizer que um bom servidor não fica barato.

    Quanto á PJ e á ASAE de produtos alimentares, para eles tanto faz, a ideia é conter ou iliminar de raiz o problema, ir a casa de cada user seria um assombro e nunca mais ficavam as coisas resolvidas, e por cada user seria um processo, e disto já os tribunais estão cheios e nem 1/3 resolvem.

    Como podem fechar um tracker o qual está registado? Podem sim senhor a partir do momento que o Btuga fez dele uma empresa e negocio com material que de certeza nunca pagou um chavo para direitos de autor.

    Mais valia ter o Btuga sem estar registado e estar sossegado do que se ter manifestado desta maneira, já alguém escreveu que a mania de se mostrarem e de serem reconhecidos levou o BitTorrent em portugal a fechar as portas, e isto não é nem nunca foi o conceito do p2p. Abraços.

  4. 2007 Agosto 3

    Apenas um aparte. Quem nunca sacou que lance a primeira pedra, sejam eles autoridades ou cidadãos comuns.

    E hoje fez noticia a corrupção que existe dentro da própria policia judiciária de material aprendido o qual foi usado para muita coisa, basta ouvirem as noticias ou lerem qye ficam a saber.

    Agora é mesmo para se dizer ou escrever. O que é que deve estar primeiro, um tracker ou o material de Droga a ser destribuído por agentes da PJ para chegarem aos seus fins???? Pensem um pouco.

  5. 2007 Agosto 4
    António Martins hiperligação permanente

    Tenho vergonha de dizer em Espanha que sou Portugues…
    Isto desde o 25 de Abril de 1974 que é um pais de corruptos e ladrões governado por amigos e conhecidos de então.
    E por tarmos em Portugal é que se segue a risca o velho ditado:”se não podes com eles,então junta-te a eles…”.
    Ainda não vi ninguem ser acusado de ser o culpado pelo caso Camarate nem pelo caso da ponte entre-os-rios nem no processo Casa Pia nem tão pouco no famoso processo Apito Dourado…

    Realmente isto dá que pensar…

  6. 2007 Novembro 3

    eu so axo k o governo e a policia judiciaria ainda sao piores k nos k sakamos da net , porque todas a apreençoes k fazem é metade ou quase metade pros filhinhos deles. por isso abaixo o governo e acima o btuga .

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