50 Cent e Amigos, Estádio do Restelo: D. Sebastião existe
50 Cent e os amigos Busta Rhymes e Akon. Todos juntos numa só noite. Confirmou-se. Existiu. Aconteceu. O regresso prometido desta espécie mais recente de lenda de D.Sebastião, que trocaram uma manhã de nevoeiro por uma noite gélida mas de celebração efusiva.
Os trâmites legais, a polémica, os adiamentos, as mudanças de local, os que vêem, os que desmarcam, os que acusam, os que se defendem, tudo e mais alguma coisa que poderá ser revelado em próximos capítulos apresenta-se como um resumo atribuladíssimo de uma novela, que tem surgido no panorama musical português nos últimos tempos.
A data de 22 de Março adquiriu contornos sérios quando o próprio 50 Cent disponibilizou uma mensagem no seu site indicando que estaria em Lisboa nessa mesma data. Onde? Não interessava. Ele vinha. O assunto era sério. 50 Cent é um dos artistas mais mediáticos por terras do Tio Sam e a mobilização para os lados do Restelo fez-se valer, certamente, de quantias incalculáveis…uma percentagem, mínima, do valor das valentes correntes de ouro que o rapper trazia ao peito…
Uma conferência de imprensa na manhã de dia 22 confirmava a presença física dos «astros» 50 Cent e Akon. Comentários acerca dos sucessivos adiamentos? Nada. Explicações? Para quê? Vamos à festa.
A escassa gente prestes a entrar para o recinto do Estádio do Restelo antevia mais uma noite miserável ao nível da última protagonizada no Pavilhão Atlântico, quando da visita de artistas menores como Ja Rule ou Fat Joe.
Dois momentos artísticos tão rápidos quanto desinteressantes antecederam a chegada em barda de automóveis de alta cilindrada às traseiras – bem visíveis – do palco que se situava atrás da baliza norte do Estádio. 50 Cent e a comitiva chegavam ao recinto e no dispositivo sonoro do palco soltavam-se tiros a anunciar a chegada do rapper.
Violência consagrada. Sexismo deselegante. Sensualidade no ouro carregado ao peito e nos músculos trabalhados pela insuficiência encefálica, eis 50 Cent pronto a celebrar um bom par de temas que se tornaram hits num panorama hip-hop que se vê transformado para uma «coisa» menos interessante. Uma hora em palco, uns ténis oferecidos ao público e um amorfo artista em palco, que pouco mais tem para mostrar do que ódio transformado em canções com balanço.
A qualidade foi apresentada no momento seguinte. Busta Rhymes juntou-se em palco com Akon. E seguíram juntos num espectáculo único, entre as canções com sabor a África, Kingston e Brooklyn tudo junto num universo cruzado dos dois artistas.
O destaque absoluto vai para Busta. Um autêntico mestre de cerimónia. Um demónio de palco. Muito vivo apesar de ser o mais velho em palco. O old-school no seu melhor. Com uns quilos a mais, é certo, mas de uma vitalidade impressionante junto de artistas de outra faixa etária. Destaque absoluto para o tema «I Know What You Want», uma célebre parceria com Mariah Carey, que Busta soube fazer esquecer através de uma presença agressiva, sendo o termo conotado como positivo.
Na sua sombra esteve Akon. Talvez sobrecarregado pelo peso do ouro que trazia ao peito que tanto jeito daria a um qualquer orçamento de estado de um País da sua «Mother Africa»…Demagogias várias…
by Miguel Matos